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Nós não temos escolha: ou criamos nossos projetos
pessoais e os assumimos ou então algum projeto que não
é nosso acaba por se impor a nós. O conceito de projeto
pessoal se aplica a um projeto global de vida, um projeto profissional
ou um projeto relacionado com nossa vida afetiva, nossa família,
nosso lazer, etc. Freqüentemente já estamos engajados
em projetos, apesar de não explícitos, contraditórios
ou sem ressonância com nossos desejos.
É
muito interessante como essa necessidade de ter projetos pessoais
é quase intuitiva e, por isso, ao final de cada ano, falamos
tanto em planos para o ano seguinte. Sabemos que a maioria deles
não se concretiza, apesar das nossas sinceras intenções.
E isto ocorre porque geralmente não há uma formulação
das intenções sob a forma de um projeto coerente e
muito menos um monitoramento sistemático e consistente do
seu andamento. O hábito e a inércia ganham sempre
de nossas melhores intenções de renovação,
ainda que evoluir seja nosso desejo.
Além
de necessitar de projetos para evoluir, há momentos em que
passamos por uma crise pessoal que demanda urgentemente um projeto
para superá-la. Crises pessoais são situações
que nos fazem perder o controle de nós mesmos e daquilo que
nos cerca. Há crises agudas, criadas por situações
imprevistas, como um desemprego inesperado, a morte de alguém
próximo, um acidente, uma doença, uma perda, uma falência.
E há crises crônicas, derivadas de inseguranças,
baixa auto estima, paralisações de percurso, conflitos
sem saída ou limitações causadas por sintomas
como fobias, compulsões, obsessões, traumas, depressões,
etc.
É muito
provável que, ao passar por um momento crítico, não
tenhamos as ferramentas para criar e monitorar um projeto pessoal.
A crise nos desestabiliza e, quando estamos sob stress, tendemos
a nos movimentar anarquicamente ou a nos refugiar num retraimento
pessoal que pode ter graves conseqüências para nós
mesmos e para os que nos cercam.
Nossos projetos
pessoais nos colocam na direção dos nossos sonhos.
Quando a pessoa
se acredita capaz de criar um projeto pessoal e de realizá-lo,
ela cria ao mesmo tempo as bases de uma autoconfiança e de
uma auto estima que são necessárias para sua expansão
no mundo e para seu crescimento pessoal.
Self Project
Management é um método para ajudar as pessoas a criar
e monitorar
projetos pessoais. Este trabalho se inicia pela identificação
dos sonhos que darão sentido à vida de cada um e pelo
exame sistemático, em profundidade, das suas prioridades
essenciais e dos seus impedimentos, conscientes ou inconscientes.
Só então se parte para a criação, formulação
e monitoramento de projetos.
Essa tarefa
pertence à primeira etapa do método, denominada Self
Project Development. Nesta etapa se parte de onde cada pessoa está
no momento e se trabalha para que ela formule um projeto ao mesmo
tempo desejável, desafiante e disponível para si.
(Os 3 D).
O Self Project
Development atua sobre todas as resistências internas à
adesão a um projeto: os bloqueios, os impedimentos, as emoções,
os ressentimentos e pressentimentos, as crenças, as contradições,
enfim, tudo que sabota dentro de nós a reversão de
nossos sonhos em projetos concretizáveis.
Este método
incorpora uma ampla gama de abordagem da condição
humana e dos problemas que obstaculizam a evolução
e a criatividade. Dependendo das condições singulares
de cada pessoa, se utilizam técnicas diferentes, a fim de
acessar as suas dificuldades e permitir que seu potencial criativo
se apresente com toda a força.
Este trabalho
pode ser feito em grupo ou individualmente e acontece sempre num
prazo limitado, adequado às necessidades e possibilidades
de cada um.
Definido o projeto,
algumas pessoas optam por assumir o seu monitoramento, enfrentando
sozinhas as dificuldades subjetivas e operacionais que se colocam
durante a fase de realização. Outras optam por ter
um suporte para a implementação de seus projetos e
passam então à segunda etapa do método, denominada
Self Project Implementation.
Esta etapa se
estende por um período mais longo, porque se dá em
tempo real, onde há atividades a serem feitas, dificuldades
a serem compartilhadas e trabalhadas e novas atividades programadas,
até a meta ser atingida.
Nesta fase
se trabalha preponderantemente a interface da pessoa com o mundo
que a cerca, ou seja, as respostas que o ambiente venha dar às
suas tentativas de ocupar espaço no mundo, através
de seu projeto pessoal.
Esse
poder de desenvolver e implementar um projeto pessoal recupera para
nós o reconhecimento de nossa liberdade de desejar, de criar,
de realizar e de compartilhar.
Há
quem caia na armadilha de pensar que focar-se num projeto pessoal
seria um ato de egoísmo. Na realidade, ao contrário,
o sentimento de abundância e riqueza pessoal implícito
no percurso de um projeto que seja realmente nosso permite que nos
sintamos ocupando o lugar que nos é devido na vida. E, neste
contexto, a nossa generosidade e solidariedade com as pessoas que
nos cercam tornam-se conseqüências naturais de nosso
novo modo de ser e estar no mundo.
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